sexta-feira, 30 de outubro de 2020

TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA. Por Milena Santos

   Caminhando para segunda década do século XXI, no Brasil, está cada vez mais difícil encontrar alguém que não tenha um smartphone com acesso à internet nem que seja com um pequeno pacote de dados móveis para utilizar aplicativos de mensagens instantâneas e ficar por dentro do que acontece nas redes sociais. 

    Esse é apenas um exemplo, pois, hoje, existem inúmeros aplicativos, sistemas e programas disponíveis, prometendo facilitar cada dia mais a vida das pessoas, se usados de maneira positiva, claro!

As Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) já fazem parte da nossa vida e dos estudantes e está cada vez mais claro que elas podem fazer uma grande diferença se utilizadas na educação, mais precisamente no ensino de Língua Portuguesa. Prova disso são os aplicativos e programas gratuitos, que podem ser benéficos à vida escolar, como: Google Classroom, Google Meet, Youtube, Wordpress, Instagram e Facebook, amplamente acessados.

          Mas, contraditoriamente, vivemos um contraste que nos evidencia, de um lado, as várias ferramentas digitais disponíveis para educação e uma sociedade extramuros que, de modo geral, se mostra familiarizada com ela e, do outro, uma realidade educacional que parece ter escolhido ficar distante das TICs.

            Esse fosso é acentuado pelo parco domínio das ferramentas por parte dos professores, a estrutura física inadequada das unidades de ensino e a falta de recursos tecnológicos. O panorama nos faz refletir sobre os desafios, mas também nos impele a vislumbrar as possibilidades.

          Acerca dos desafios, podemos destacar os baixos investimentos no ensino, que dificultam a utilização das TICs pelos professores e alunos, impedindo o conhecimento sobre a utilização das ferramentas digitais na rede pública . Outra pedra no caminho dos educadores está na quase inexistência do debate acerca do assunto na formação inicial oferecida nas universidades e faculdades, o que os fazem chegar à sala de aula sem o devido preparo.

          Mas, a busca pela inclusão digital nas escolas não vive apenas de  dificuldades, pois, precisamente no ensino de Língua Portuguesa, as possibilidades são muitas, sobretudo se os educadores superarem as amarras da legislação que proíbe o uso de smartphones em sala de aula, já que esses aparelhos cada vez mais democratizados, poderiam ser uma opção viável ao uso burocratizado do laboratório de informática, lançando luz sobre a maioria dos problemas relativos às TICs.

          Muitos recursos até já fazem parte da vida da maioria dos alunos da educação básica e podem ser explorados em aulas de português, como é o caso do “sala de aula” do pacote G- Suite Google, além da plataforma de vídeos Youtube e o Blogger, indicado para escrita colaborativa de textos.

Para Roseli Alexandre, professora e especialista em ensino de Língua Portuguesa, as atividades de produção textual serão mais prazerosas e criativas se forem estabelecidas possibilidades de conexão com a vida dos adolescentes, porque não se pode imaginar uma educação avessa às modernidades.

           Vale ressaltar que a proposta acima não exime estados e municípios da responsabilidade pela adequação das estruturas das unidades de ensino, bem como da aquisição de equipamentos, para que o ensino se insira no mundo digital, como preconiza a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

           Débora Leal e Tereza Lima, doutorandas em educação pela Universidade Internacional Três Fronteiras, afirmam que para que ocorra uma inclusão digital nos domínios escolares, se faz necessário o desenvolvimento de políticas abertas para que se obtenha uma formação docente precursora de uma efetivação eficiente dos meios tecnológicos.

          Desse modo, podemos afirmar também que, a partir do momento em que os educadores tiverem o conhecimento no manuseio dessas tecnologias, tanto na formação acadêmica quanto na posterior formação continuada, poderão criar e aprimorar metodologias de ensino mais dinâmicas, que chamem a atenção dos alunos e os motivem a estudar e aprender com as TICs.

          Sabemos que discutir o ensino de língua materna com o auxílio das tecnologias na atual realidade da educação pública brasileira constitui-se num grande desafio. No entanto, esse desafio não pode ser maior do que a vontade de superá-lo, e, para isso, é preciso que os professores da área deem um passo na direção das ferramentas tecnológicas com inteligência, para explorar as possibilidades que estejam ao seu alcance.

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