quarta-feira, 17 de junho de 2020

O BEM-VIVER NA PANDEMIA - Por Sônia Cristina Caldas



É  preciso celebrar a vida mesmo diante das adversidades

Enganam-se aqueles que pensam ser a Covid-19 a primeira pandemia a mudar toda a rotina humana. No século XX, a “gripe espanhola”, que chegou ao Brasil em 1918 a bordo do navio Demerara, ceifou a vida de aproximadamente 35.000 pessoas em todo o mundo.

Da mesma forma que ocorreu há mais de cem anos, o povo brasileiro e alguns governantes ignoraram a ameaça, tratando-a como uma “gripezinha”, e não mantiveram o isolamento social necessário para contê-la. Como disse o filósofo Edmund Burke: “Aqueles que não conhecem a história estão fadados a repeti-la” e o resultado foi o avanço desenfreado desse vírus letal sobre grande parte da população, chegando às mais diversas classes sociais.

Diante da situação, tornou-se necessário realizar mudanças na vida de todos: Home Office, aulas online e até restrições de horários e funcionamento a locais públicos. Essas mudanças necessárias de combate ao Coronavírus, que provocaram reflexões profundas na sociedade, deveriam ter estimulado a empatia e o bem coletivo, entretanto, o que realmente saltou aos olhos foi a individualidade com remédios sumindo de farmácias e a súbita alta nos preços dos alimentos, graças às compras além do necessário, que deixaram muitas famílias à míngua e de despensas vazias.

O povo brasileiro estava acostumado ao lazer com praia no final de semana, às compras no comercio e tarefas cotidianas como sair para trabalhar, estudar ou levar os filhos à escola. Por isso mesmo, realizar uma mudança tão brusca nessa cultura urbana não foi tarefa fácil. A notícia do isolamento social foi recebida pelo cidadão comum como desnecessária, enquanto a classe empresarial se apressou em apontar, unilateralmente, para as perdas financeiras, mesmo com as previsões alertando para as ameaças a milhares de vidas à medida que os meses fossem avançando. Ao que parece, sair da rotina soou como uma quebra do direito de ir e vir, sem considerar a importância do isolamento social. 

A velha frase “ o homem é um ser social” fica evidente, quando se percebe o quão difícil é ficar em casa, com a sensação de aprisionamento e os riscos à saúde mental gerados pela ansiedade e angústia, quadro que pode desencadear depressão.

Entretanto, tudo tem, pelo menos dois lados e muita gente consegue encontrar aspectos positivos no isolamento, como poder realizar tarefas em família, ler livros, conversar mais com os filhos, relembrar a infância com jogos de tabuleiro, narrativas e até cantigas. É preciso enxergar que tudo isso permitiu valorizar pequenas e importantes coisas da vida, o fato é, que agora, embora a contragosto, contamos com mais tempo, artigo de luxo no mundo moderno.

Em nosso estado, a doença se instalou inicialmente na capital, levando milhares de pessoas a uma corrida aos hospitais públicos e particulares, que por causa da enorme demanda entraram em colapso. Nesse momento crítico, milhares de vidas foram ceifadas, muito embora o governo promovesse campanhas e apelos na mídia para que as pessoas ficassem em casa ou ainda decretassem o estado de Lockdown.

Mesmo com tanta informação disponível, muitos ignoraram as normas da Organização Mundial da Saúde, se expondo a riscos desnecessários para seguir ideias equivocadas da autoridade máxima do país, que ao invés de proteger a população, provocou confusão os levando à morte.

A saúde que deveria estar em primeiro lugar foi colocada em segundo plano, que pressionada pelos grandes empresários, perdeu para a economia. Assim, o contágio seguiu seu curso natural, migrando para o interior do estado onde a estrutura hospitalar é precária, agravando a situação ainda mais.

No passado não havia hospitais públicos, eles surgiram com a epidemia de Malária e foram organizados por Carlos Chagas, que assumiu o que hoje designamos como Ministério da Saúde. O sanitarista criou uma cartilha com instruções de higiene e isolamento social, que passaram a ser seguidas pela população. Hoje em pleno século XXI, com poucos hospitais e a saúde ainda precária, foi necessário instalar hospitais de campanha para atender a população. 

Para que não se perca a sanidade mental é necessário manter o convívio com pessoas de nossas relações afetivas e sociais por meio das ferramentas e mídias digitais como videoconferências, postagens de fotos, mensagem aos amigos e familiares separados pelo isolamento, a fim de que estreitar os laços de afeto e eles saibam que quando isso tudo acabar, o abraço e aperto de mão serão recebidos com alegria, indicando o início de um novo tempo de renovação espiritual e vida melhor para todos.


 


Um comentário:

  1. Bem pensado,a impatia se perdeu em meio ao egoísmo. Vamos repensar. Ainda tem muito chão.

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