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| Cuidados com corpo e mente estão em alta no isolamento |
Isolamento,
crise econômica e incerteza quanto ao futuro por conta da pandemia de Covid-19
têm deixado temerosas e ansiosas milhões de pessoas ao redor do mundo. Foi num
quadro semelhante em 2003, durante a epidemia de Sars, que a organização
Mundial da Saúde (OMS) detectou um aumento de 31% nos casos de depressão e
de 29% nos de estresse pós-traumático em função da quarentena imposta pela
doença na China.
Em situações como essa manter a saúde mental pode ser um grande desafio para a
maioria das pessoas. Mas, pequenas atitudes podem dar respostas efetivas aos
episódios de ansiedade, um dos sintomas mais graves de quem enfrenta uma crise
depressiva.
Fomos, desde sempre, incentivados a pensar pela lógica do “cada macaco no seu
galho”, esse adágio popular pregou, para uma geração inteira, que viver a vida
sem se preocupar com a do vizinho era sinônimo de boa etiqueta. No entanto, com
a chegada da pandemia de Covid-19, o planeta inteiro foi, literalmente, pego de
“calças curtas” pelo isolamento, desnudando fragilidades da falsa ideia de
proximidade trazida pelas redes sociais.
Mas, toda crise é também oportunidade de reflexões necessárias e, na maioria
das vezes, por causa dela, é possível que toda uma sociedade saia da zona de
conforto, vencendo as etapas necessárias para o amadurecimento
coletivo. Aparentemente, a receita do equilíbrio sempre esteve disponível,
de forma natural, em alguns indivíduos, estamos falando da resiliência. Palavra
da moda, esse termo, que veio das ciências exatas significa a propriedade que
alguns materiais têm de recuperar sua forma original depois de submetidos a uma
grande força com potencial de comprometer sua estrutura.
Profissional da saúde mental, Antônio Geraldo da Silva, da Associação Brasileira de Psiquiatria, orienta que mesmo suportando solidão, medo e outras tensões agudas durante a quarentena, nem todas as pessoas irão adoecer, pelo fato de se manterem alertas em relação ao autoequilíbrio. Entre os pontos que merecem destaque nesse jogo de harmonia corpo e mente, podem ser elencados: ser resiliente, dosar o estresse, praticar o otimismo, recordar boas lembranças, buscar informações verdadeiras, evitar a negação da realidade, enfrentar as adversidades de maneira consciente e perceber que tendemos a ver as coisas pior do que elas realmente são.
Como se pode constatar, a maioria dos itens da lista acima podem ser buscados mesmo na condição de isolamento, pois dependem de nós mesmos. Se, por exemplo, sabemos que determinado noticiário na TV tem o potencial de roubar nossa tranquilidade, poderemos deixar de vê-lo para controlar nosso nível de estresse e, ao vermos pessoas de grupos de risco vencendo o vírus, ficamos mais otimistas diante da crise.
Buscando ocupar a mente durante o isolamento, o casal Maria e José Silva, decidiu fazer pequenas reformas na casa, bem ao estilo, ‘faça você mesmo'. O trabalho que incluiu lixar e pintar as paredes, consertar o telhado e a encanação hidráulica, além da reforma de móveis velhos, teve o apoio de vídeos tutoriais da internet.
No meio da trabalheira, José encontrou, dentro de um baú de madeira fechado há mais de 20 anos, uma coleção de livros que marcou sua infância com os irmãos. O achado, além de boas histórias, trouxe lembranças através das fotos e bilhetes antigos que estavam no interior das páginas. “Foi uma bela surpresa que aflorou histórias que nunca havia contado à minha mulher, rimos muito e os objetos renderam noites inteiras de conversa, antes de dormir”, contou o homem.
Há também famílias que preferem assistir séries no streaming, ao invés dos noticiários; outras organizam a rotina diária com horas determinadas para trabalho doméstico, dividido democraticamente, jogos de tabuleiro e até exercícios para manter a saúde física em dia.
Tudo isso somado, temos, depois do sinal de igual uma receita de bem-viver, que
não será alcançada sem algum esforço e busca de autoconhecimento de nossa
parte, para que a crise possa se tornar oportunidade de
crescimento.






