Caminhando para segunda década do século XXI,
no Brasil, está cada vez mais difícil encontrar alguém que não tenha um smartphone
com acesso à internet nem que seja com um pequeno pacote de dados móveis
para utilizar aplicativos de mensagens instantâneas e ficar por dentro do que
acontece nas redes sociais.
Esse é apenas um exemplo, pois, hoje, existem
inúmeros aplicativos, sistemas e programas disponíveis, prometendo facilitar
cada dia mais a vida das pessoas, se usados de maneira positiva, claro!
As Tecnologias de Informação e
Comunicação (TICs) já fazem parte da nossa vida e dos estudantes e está cada
vez mais claro que elas podem fazer uma grande diferença se utilizadas na
educação, mais precisamente no ensino de Língua Portuguesa. Prova disso são os
aplicativos e programas gratuitos, que podem ser benéficos à vida escolar, como:
Google Classroom, Google Meet, Youtube, Wordpress, Instagram e Facebook, amplamente
acessados.
Mas, contraditoriamente, vivemos um
contraste que nos evidencia, de um lado, as várias ferramentas digitais disponíveis
para educação e uma sociedade extramuros que, de modo geral, se mostra familiarizada
com ela e, do outro, uma realidade educacional que parece ter escolhido ficar distante
das TICs.
Esse fosso é acentuado pelo parco
domínio das ferramentas por parte dos professores, a estrutura física inadequada
das unidades de ensino e a falta de recursos tecnológicos. O panorama nos faz
refletir sobre os desafios, mas também nos impele a vislumbrar as
possibilidades.
Acerca dos desafios, podemos destacar
os baixos investimentos no ensino, que dificultam a utilização das TICs pelos
professores e alunos, impedindo o conhecimento sobre a utilização das ferramentas
digitais na rede pública . Outra pedra no caminho dos educadores está na
quase inexistência do debate acerca do assunto na formação inicial oferecida
nas universidades e faculdades, o que os fazem chegar à sala de aula sem o
devido preparo.
Mas, a busca pela inclusão digital nas escolas não vive apenas de dificuldades, pois, precisamente no ensino
de Língua Portuguesa, as possibilidades são muitas, sobretudo se os educadores
superarem as amarras da legislação que proíbe o uso de smartphones em sala de aula, já que esses aparelhos cada vez mais
democratizados, poderiam ser uma opção viável ao uso burocratizado do
laboratório de informática, lançando luz sobre a maioria dos problemas
relativos às TICs.
Muitos recursos até já fazem parte da vida da
maioria dos alunos da educação básica e podem ser explorados em aulas de
português, como é o caso do “sala de aula” do pacote G- Suite Google, além da
plataforma de vídeos Youtube e
o Blogger, indicado para
escrita colaborativa de textos.
Para Roseli Alexandre, professora
e especialista em ensino de Língua Portuguesa, as atividades de produção
textual serão mais prazerosas e criativas se forem estabelecidas
possibilidades de conexão com a vida dos adolescentes, porque não se pode
imaginar uma educação avessa às modernidades.
Vale ressaltar que a proposta acima
não exime estados e municípios da responsabilidade pela adequação das estruturas
das unidades de ensino, bem como da aquisição de equipamentos, para que o
ensino se insira no mundo digital, como preconiza a Base Nacional Comum
Curricular (BNCC).
Débora Leal e Tereza Lima,
doutorandas em educação pela Universidade Internacional Três Fronteiras,
afirmam que para que ocorra uma inclusão digital nos domínios escolares, se faz necessário o desenvolvimento de políticas abertas para que se
obtenha uma formação docente precursora de uma efetivação eficiente dos meios
tecnológicos.
Desse
modo, podemos afirmar também que, a partir do momento em que os educadores
tiverem o conhecimento no manuseio dessas tecnologias, tanto na formação
acadêmica quanto na posterior formação continuada, poderão criar e aprimorar
metodologias de ensino mais dinâmicas, que chamem a atenção dos alunos e os
motivem a estudar e aprender com as TICs.
Sabemos que discutir o ensino de língua materna
com o auxílio das tecnologias na atual realidade da educação pública brasileira constitui-se num grande desafio. No entanto, esse desafio não pode ser maior do
que a vontade de superá-lo, e, para isso, é preciso que os professores da
área deem um passo na direção das ferramentas tecnológicas com inteligência,
para explorar as possibilidades que estejam ao seu alcance.