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| É preciso celebrar a vida mesmo diante das adversidades |
Enganam-se aqueles que pensam ser a Covid-19 a primeira pandemia a mudar toda a rotina humana. No século XX, a “gripe espanhola”, que chegou ao Brasil em 1918 a bordo do navio Demerara, ceifou a vida de aproximadamente 35.000 pessoas em todo o mundo.
Da mesma forma que ocorreu há mais de cem anos, o povo brasileiro e alguns governantes ignoraram a ameaça, tratando-a como uma “gripezinha”, e não mantiveram o isolamento social necessário para contê-la. Como disse o filósofo Edmund Burke: “Aqueles que não conhecem a história estão fadados a repeti-la” e o resultado foi o avanço desenfreado desse vírus letal sobre grande parte da população, chegando às mais diversas classes sociais.
Diante
da situação, tornou-se necessário realizar mudanças na vida de todos: Home
Office, aulas online e até restrições de horários e funcionamento a
locais públicos. Essas mudanças necessárias de combate ao Coronavírus, que
provocaram reflexões profundas na sociedade, deveriam ter estimulado a empatia
e o bem coletivo, entretanto, o que realmente saltou aos olhos foi a
individualidade com remédios sumindo de farmácias e a súbita alta nos preços
dos alimentos, graças às compras além do necessário, que deixaram muitas
famílias à míngua e de despensas vazias.
O
povo brasileiro estava acostumado ao lazer com praia no final de semana, às
compras no comercio e tarefas cotidianas como sair para trabalhar, estudar ou
levar os filhos à escola. Por isso mesmo, realizar uma mudança tão brusca nessa
cultura urbana não foi tarefa fácil. A notícia do isolamento social foi
recebida pelo cidadão comum como desnecessária, enquanto a classe
empresarial se apressou em apontar, unilateralmente, para as perdas
financeiras, mesmo com as previsões alertando para as ameaças a milhares de
vidas à medida que os meses fossem avançando. Ao que parece, sair da
rotina soou como uma quebra do direito de ir e vir, sem considerar a
importância do isolamento social.
A
velha frase “ o homem é um ser social” fica evidente, quando se percebe o quão
difícil é ficar em casa, com a sensação de aprisionamento e os riscos à saúde
mental gerados pela ansiedade e angústia, quadro que pode desencadear
depressão.
Entretanto,
tudo tem, pelo menos dois lados e muita gente consegue encontrar aspectos
positivos no isolamento, como poder realizar tarefas em família, ler
livros, conversar mais com os filhos, relembrar a infância com jogos de
tabuleiro, narrativas e até cantigas. É preciso enxergar que tudo isso permitiu
valorizar pequenas e importantes coisas da vida, o fato é, que agora, embora a
contragosto, contamos com mais tempo, artigo de luxo no mundo moderno.
Em
nosso estado, a doença se instalou inicialmente na capital, levando milhares de
pessoas a uma corrida aos hospitais públicos e particulares, que por causa da
enorme demanda entraram em colapso. Nesse momento crítico, milhares de vidas
foram ceifadas, muito embora o governo promovesse campanhas e apelos na mídia
para que as pessoas ficassem em casa ou ainda decretassem o estado de Lockdown.
Mesmo
com tanta informação disponível, muitos ignoraram as normas da Organização
Mundial da Saúde, se expondo a riscos desnecessários para seguir ideias
equivocadas da autoridade máxima do país, que ao invés de proteger a população,
provocou confusão os levando à morte.
A
saúde que deveria estar em primeiro lugar foi colocada em segundo plano, que
pressionada pelos grandes empresários, perdeu para a economia. Assim, o
contágio seguiu seu curso natural, migrando para o interior do estado onde a
estrutura hospitalar é precária, agravando a situação ainda mais.
No
passado não havia hospitais públicos, eles surgiram com a epidemia de Malária e
foram organizados por Carlos Chagas, que assumiu o que hoje designamos como
Ministério da Saúde. O sanitarista criou uma cartilha com instruções de higiene
e isolamento social, que passaram a ser seguidas pela população. Hoje em pleno
século XXI, com poucos hospitais e a saúde ainda precária, foi necessário
instalar hospitais de campanha para atender a população.
Para
que não se perca a sanidade mental é necessário manter o convívio com pessoas
de nossas relações afetivas e sociais por meio das ferramentas e mídias
digitais como videoconferências, postagens de fotos, mensagem aos amigos e
familiares separados pelo isolamento, a fim de que estreitar os laços de afeto
e eles saibam que quando isso tudo acabar, o abraço e aperto de mão serão
recebidos com alegria, indicando o início de um novo tempo de renovação
espiritual e vida melhor para todos.

Bem pensado,a impatia se perdeu em meio ao egoísmo. Vamos repensar. Ainda tem muito chão.
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